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Como problematizar um tema de redação do Enem em 5 passos

Por EAD URI   | 

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A redação do Enem costuma ser uma das etapas mais importantes do Exame e demanda uma boa preparação. É essencial prestar atenção na exigência da problematização do tema, um dos critérios de avaliação dos corretores. Mas você sabe o que ela significa?

A problematização do tema numa redação dissertativa-argumentativa é a análise das causas e efeitos do problema apontado, direta ou indiretamente, na proposta.

Confira a seguir um passo a passo para problematizar o tema de redação do Enem, com exemplos práticos. Acompanhe:

1. Identifique as palavras-chave do tema da redação
2. Pergunte-se: “esse tema é um problema? Por quê? Como? Quais as consequências”
3. Transforme o tema em uma pergunta
4. Defina sua tese
5. Acompanhe o noticiário para fortalecer seu repertório
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1. Identifique as palavras-chave do tema da redação

A primeira dica é prestar atenção nas palavras-chave do tema e no assunto central para o qual o texto motivador chama a atenção.

Vamos pegar como exemplo dois temas do Enem. O primeiro, de 2019, tinha como proposta a “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”. O tema, embora não apresente um problema específico, deixa claro que deve tratar sobre o acesso à cultura ao povo brasileiro.

Dentro dessa problemática, questões como se há de fato cinemas em todos os municípios brasileiros, o preço dos ingressos e o fechamento dos cinemas de bairro por conta das grandiosas salas de cinema dos shoppings poderiam ser boas propostas de problematização.

Entretanto, é muito importante ler os textos motivadores, para entender qual a margem de linha de argumentação que pode ser usada.

Em 2019, os textos motivadores eram:

TEXTO I

No dia da primeira exibição pública de cinema - 28 de dezembro de 1895, em Paris -, um homem de teatro que trabalhava com mágicas, Georges Mélies, foi falar com Lumière, um dos inventores do cinema; queria adquirir um aparelho, e Lumière desencorajou-o, disse-lhe que o "Cinematógrapho" não tinha o menor futuro como espetáculo, era um instrumento científico para reproduzir o movimento e só poderia servir para pesquisas. Mesmo que o público, no início, se divertisse com ele, seria uma novidade de vida breve, logo cansaria. Lumière enganou-se. Como essa estranha máquina de austeros cientistas virou uma máquina de contar estórias para enormes plateias, de geração em geração, durante já quase um século?

BERNARDET, Jean-Claude. O que é Cinema. In BERNARDET, Jean- Claude; ROSSI, Clóvis.O que é Jornalismo, O que é Editora, O que é Cinema. São Paulo: Brasiliense, 1993.

TEXTO II

Edgar Morin define o cinema como uma máquina que registra a existência e a restitui como tal, porém levando em consideração o indivíduo, ou seja, o cinema seria um meio de transpor para a tela o universo pessoal, solicitando a participação do espectador.

GUTFREIND, C. F. O filme e a representação do real. E-Compós, v. 6, 11, 2006 (adaptado).

TEXTO III

texto-motivador-redacao-enem-2019Disponível em: www.meioemensagem.com. Acesso em: 12 jun.2019 (adaptado).

TEXTO IV

O Brasil já teve um parque exibidor vigoroso e descentralizado: quase 3 300 salas em 1975, uma para cada 30 000 habitantes, 80% em cidades do interior. Desde então, o país mudou. Quase 120 milhões de pessoas a mais passaram a viver nas cidades. A urbanização acelerada, a falta de investimentos em infraestrutura urbana, a baixa capitalização das empresas exibidoras, as mudanças tecnológicas, entre outros fatores, alteraram a geografia do cinema. Em 1997, chegamos a pouco mais de 1 000 salas. Com a expansão dos shopping centers, a atividade de exibição se reorganizou. O número de cinemas duplicou, até chegar às atuais 2 200 salas. Esse crescimento, porém, além de insuficiente (o Brasil é apenas o 60o país na relação habitantes por sala), ocorreu de forma concentrada. Foram privilegiadas as áreas de renda mais alta das grandes cidades. Populações inteiras foram excluídas do universo do cinema ou continuam mal atendidas: o Norte e o Nordeste, as periferias urbanas, as cidades pequenas e médias do interior.

Disponível em: https://cinemapertodevoce.ancine.gov.br. Acesso em: 13 jun. 2019 (fragmento).

Este tema exigiu que o candidato escrevesse sobre democratização da cultura no Brasil. Os estudantes poderiam falar sobre a expressão artística, foco abordado nos dois primeiros textos da coletânea. Ou então, no cinema como espaço de exibição, explorados nos textos três e quatro. Toda a argumentação deveria estar relacionada à defesa destes pontos.

Confira um exemplo de redação do Enem nota 1000 sobre a “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”. A problematização do tema está marcada em negrito:

"Segundo o filósofo Friedrich Nietzsche, a arte existe para impedir que a realidade nos destrua. Sob essa ótica, é inegável a crucialidade das expressões culturais para a promoção do bem-estar do homem moderno. No entanto, ao se observar o caráter excludente do acesso ao cinema no Brasil, é notório que essa imprescindibilidade não tem sido considerada no país. Nesse sentido, pode-se afirmar que a negligência governamental e a escassa abordagem do problema agravam essa situação.

Primeiramente, é válido destacar que a displicência estatal colabora com esse cenário. De acordo com o Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, todo cidadão brasileiro tem direito ao lazer. Entretanto, ao se analisar a concentração de cinemas nas áreas de renda mais alta das grandes cidades, é indiscutível que essa premissa constitucional não é valorizada pelo governo nacional. Dessa maneira, é importante salientar que essa má atuação do Estado provoca o acesso desigual a essa atividade de exibição por parte da população e, consequentemente, garante a condição de subcidadania de diversos indivíduos.

Além disso, é pertinente ressaltar que a insuficiente exposição dessa problemática contribui para a não democratização desse programa cultural. Nessa perspectiva, muitas vezes, a mídia negligencia o debate acerca da ausência de lazer nas periferias urbanas e no interior do país, o que faz com que a carência de cinemas nessas regiões não seja denunciada. Dessa forma, é indubitável que a pouco abordagem midiática com relação ao caráter restritivo do universo cinematográfico proporciona a perpetuação da concentração regional dessa atividade de exibição.

Torna-se evidente, portanto, que o acesso não democrático ao cinema no Brasil é um entrave que precisa ser solucionado. Sendo assim, o Estado deve investir na ampliação do alcance desse programa cultural, por meio da capitalização das empresas exibidoras. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a concessão de subsídios fiscais a instituições privadas que, comprovadamente, promovam a construção de cinemas nas áreas carentes do país, a fim de que a acessibilidade a essa atividade de exibição seja garantida de forma igualitária. Ademais, a mídia deve elaborar reportagens de denúncia, as quais exibam a carência desse tipo de lazer nas periferias urbanas. Desse modo, certamente, a afirmação de Nietzsche será vivenciada por todos os cidadãos brasileiros."

Outro tema, do ano de 2021, falava sobre “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”. Este tema exigiu do estudante que ele abordasse a questão dos direitos de uma maneira mais ampla. Uma boa problematização deste texto deveria trazer questões em torno de três eixos: visibilidade, registro civil e cidadania.

Dentro destas questões, o estudante poderia refletir sobre como é prejudicial para uma pessoa não ter o seu registro civil, da sua invisibilidade como cidadão, além da importância de garantir direitos e o resgate dos registros civis a pessoas em situação de vulnerabilidade, como a população em situação de rua, por exemplo.

Confira mais um exemplo de redação do Enem nota 1000, desta vez sobre a “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”. A problematização do tema está marcada em negrito:

"No célebre texto 'As Cidadanias Mutiladas', o geógrafo brasileiro Milton Santos afirma que a democracia só é efetiva à medida que atinge a totalidade do corpo social, isto é, quando os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. Todavia, no contexto hodierno, a invisibilidade intrínseca à falta de documentação pessoal distancia os brasileiros dos direitos constitucionalmente garantidos. Nesse cenário, a garantia de acesso à cidadania no Brasil tem como estorvos a burocratização do processo de retirada do registro civil, bem como a indiferença da sociedade diante dessa problemática.

Nessa perspectiva, é importante analisar que as dificuldades relativas à retirada de documentos pessoais comprometem o acesso à cidadania no Brasil. Nesse sentido, ainda que a gratuidade do registro de nascimento seja assegurada pela lei de número 9.534 da Carta Magna, os problemas associados à documentação civil ultrapassam a esfera financeira, haja vista que a demanda por registros civis é incompatível com a disponibilidade de vagas ofertadas pelos órgãos responsáveis, o que torna o processo lento e burocrático. Sob tal óptica, a realidade brasileira pode ser sintetizada pelo pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual afirma que a "violência simbólica" se expressa quando uma determinada parcela da população não usufrui dos mesmos direitos, fato semelhante à falta de acesso à cidadania relacionada aos imbróglios da retirada de documentos de identificação no País.

Outrossim, é válido destacar a ausência de engajamento social como fator que corrobora a invisibilidade intrínseca à falta de documentação. Fica claro, pois, que a indiferença da sociedade diante da importância de assegurar o acesso aos registros civis para todos os indivíduos silencia a temática na conjuntura social, o que compromete a cidadania de muitos brasileiros, haja vista que a posse de documentos pessoais se faz obrigatória para acessar os benefícios sociais oferecidos pelo Estado. Sob esse viés, é lícito referenciar o pensamento do professor israelense Yuval Harari, o qual, na obra '21 Lições para o Século XXI', afirma que grande parte dos indivíduos não é capaz de perceber os reais problemas do mundo, o que favorece a adoção de uma postura passiva e apática.

Torna-se imperativo, portanto, que cabe ao Ministério da Cidadania, como importante autoridade na garantia dos direitos dos cidadãos brasileiros, facilitar o processo de retirada de documentos pessoais no Brasil. Tal medida deve ser realizada a partir do aumento de vagas ofertadas diariamente nos principais centros responsáveis pelos registros civis, além do estabelecimento de um maior número de funcionários, a fim de tornar o procedimento mais dinâmico e acessível, bem como garantir o acesso à cidadania aos brasileiros. Ademais, fica a cargo do Ministério das Comunicações estimular o engajamento social por meio de propagandas televisivas e nas redes sociais, com o fito de dar visibilidade à temática e assim assegurar os direitos cidadãos."

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2. Pergunte-se: “esse tema é um problema? Por quê? Como? Quais as consequências?”

Para fazer uma boa problematização na redação do Enem é preciso entender a estrutura da prova. De acordo com a Cartilha do Participante, o texto consiste em introdução, que deve conter a tese, o desenvolvimento, com a defesa dos argumentos e a conclusão, que precisa ter uma proposta de intervenção.

O fato de haver a cobrança da proposta de intervenção já deixa implícito que há um problema. É preciso identificar esse problema e buscar as causas e os efeitos dele.

Lembre-se de que, nesta etapa, a sua capacidade de pensar de maneira coerente também está sendo avaliada. Então, a sua argumentação deve apresentar uma solução de intervenção que seja original e não generalista, como “para solucionar a fome do mundo basta dar comida para quem não tem”.

É preciso então analisar atentamente qual a problemática apresentada, por que ela ocorre, quais os seus desdobramentos e apresentar uma maneira de como poderia ser resolvida.

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3. Transforme o tema em uma pergunta

Para facilitar o processo de construção da sua argumentação, procure reformular o tema como uma pergunta simples. Veja como os temas da redação de 2019 e 2021 poderiam ser colocados na forma de pergunta:

  • O acesso ao cinema no Brasil é democratizado?
  • Como a falta de registro civil prejudica o acesso à cidadania no Brasil?

Ao usar essa estratégia no dia do primeiro dia de Enem, procure responder à pergunta, de um modo claro, concordando ou discordando: essa resposta é o seu ponto de vista.

Pergunte a você mesmo o porquê de sua resposta, qual a razão para justificar sua posição: aí estará o seu argumento principal. Agora, procure descobrir outros motivos que ajudem a defender o seu ponto de vista. Estes serão argumentos auxiliares.

Em seguida, procure algum fato que sirva de exemplo para reforçar a sua posição. Este fato-exemplo pode vir de sua memória visual, das coisas que você ouviu ou que você leu. Pode ser um fato da vida política, econômica, social. Pode ser um fato histórico. O importante é que seja coerente com o seu ponto de vista.

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4. Defina sua tese

É considerado uma tese todo texto que defenda uma ideia, um posicionamento crítico, um ponto de vista que fomente questionamentos sobre determinado assunto.

Na redação do Enem, seja qual for a sua argumentação, é preciso que haja um posicionamento sobre a questão-tema. É por meio de argumentos, fatos e dados que você vai justificar o desenvolvimento de suas ideias.

Mas os avaliadores do Enem esperam que você apresente sua tese já na introdução, no parágrafo inicial. No desenvolvimento, você deve demonstrar a relevância do seu posicionamento e todos os seus argumentos devem servir para o aprofundamento da tese, ou seja, para auxiliar na explicação do seu posicionamento.

Mesmo que seja sua opinião, você deve cuidar com o uso da linguagem coloquial e evitar expressões como “eu acho que” ou “eu penso que” para defender o que diz.

Sustente sua tese até o fim, pois não adianta nada construir uma introdução legal, trazer bons argumentos e na conclusão dizer exatamente o oposto daquilo que você está defendendo.

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5. Acompanhe o noticiário para fortalecer seu repertório

Todo estudante que vai prestar Enem deve se manter atualizado. É necessário a leitura de livros e portais de notícia, além de acompanhar os telejornais diários, já que os temas das provas sempre estão relacionados com assuntos de interesse da sociedade.

Então, para desenvolver um bom texto, é importante que você acompanhe as notícias do mundo e do país. Apesar de não cobrar temas pontuais, o Enem exige que o participante tenha uma visão global e crítica sobre temas relevantes da atualidade.

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